terça-feira, 23 de junho de 2009

O processo criativo nas produções de vídeo, TV ou cinema

Análise usando o livro:
On Camera – O curso de produção de filme e vídeo da BBC (Harris Watts)

Ao se pensar em imagem, uma série de fórmulas podem ser aplicadas ao processo de produção para que as idéias sejam conduzidas com estrutura e criatividade, atingindo o objetivo do diretor para que sua obra seja reconhecida e seu público-alvo atingido, distanciando-os do fracasso. As fórmulas provem de boas idéias, senão não seriam utilizadas até a exaustão, como acontece. Por isso, elas devem ser sempre aperfeiçoadas e alternativas buscadas para que o processo criativo não caia no comum e seja atraente e informativo aos olhos do telespectador.
Seja na televisão, cinema ou vídeo, o modo de se pensar em produzir se inicia da mesma forma, as fórmulas estruturais se aplicam aos três modos de se fazer imagem. O que os diferencia é basicamente o público-alvo, forma de transmissão e captação.

“Não haveria mesmo razão para a separação entre TV e vídeo em campos de atuação tão distintos. A rigor, os termos vídeo e televisão podem ser aplicados a uma mesma tecnologia, à exploração de um mesmo meio para a produção e difusão de imagens eletrônicas. A diferença entre o vídeo e a TV está, essencialmente, na sua proposta ético-estética. (...) Ainda hoje o vídeo é tratado por muitos críticos e realizadores como uma espécie de contratelevisão, ou, quando muito é associado a reinvenção da sua linguagem, à idéia de qualquer experimentalismo envolvendo seu aparato.” In: Made in Brasil, Arlindo Machado. p. 87, São Paulo, SENAC.

Nesta espécie de manual, Harris Watts descreve inúmeras ações para que as idéias sejam levadas a diante e, além disso, caiam no gosto do público. Uma delas é produzir coisas que sejam interessantes para quem o faz, a especialidade existe para garantir maior êxito junto com mais experiência, a fim de explorar temas. Os fatos inéditos e curiosidades tendem a chamar mais atenção e, o mais importante, deve-se sempre manter um arquivo de idéias.
A pesquisa é o aspecto mais importante nesse processo criativo e é nela que a equipe tem noção da dimensão de abordagem do tema a ser explorado, define as possibilidades e pontos importantes que vão entrar na produção além de reconhecer o material a ser utilizado. Aqui também pode-se começar a pensar no áudio da obra, tão importante quanto as idéias, já ajuda a formatar o projeto e delinear características também.
O vídeo nos dá uma série de alternativas técnicas para que possamos utilizar e explorar novas, fazendo experimentações em cima das já existentes. Talvez esteja ai o segredo de grandes sucessos. Podemos aumentar nossos conhecimentos técnicos assistindo a outras obras para ver como outras pessoas trabalham e a partir delas adaptar novas técnicas e até mesmo inventar novas.
O tempo de pré-produção, onde esta série de levantamento de dados é feita e idéias de técnicas a serem utilizadas, depende do tamanho da obra completa. Em um longa-metragem pode durar meses, assim como em um programa de TV, mas um vídeo com algum tema específico e de duração limitada pode durar uma semana, tudo depende do processo de pesquisa e se ela respondeu as perguntas e dúvidas sobre o tema a se produzir.
Após isso pode-se começar a pensar em roteiro, onde as idéias são colocadas no papel no formato de anotações, imagens a esquerda e som a direita. Dessa forma a organização da pesquisa feita já se torna mais próxima a concretização do projeto, verifica-se se as idéias funcionam, se foi planejado o número ideal de imagens em cima da história a ser contada, se faltou alguma coisa ou se a produção já pode seguir para os próximos passos.
O mais importante na escrita do roteiro é a experiência que será adquirida para identificar pontos fortes e fracos que posteriormente a equipe poderá enfrentar ao executar o roteiro. Além disso, colocando as imagens no papel, pode-se deduzir o tempo estimado para cada cena e assim prevendo o tempo total de duração da obra.
Depois de revisto e muito bem estruturado, o roteiro também dá todas as outras noções relacionadas a produção e tempo de produção até o termino das gravações. É nele que identificamos os dias necessários para gravar e locais a serem visitados, usados ou produzidos para as gravações, assim como a ordem em que as cenas serão gravadas. Elas não precisam ser lineares como as seqüências do roteiro, quem dita a ordem de gravação é o tempo: economiza-se tempo gravando imagens de mesma locação juntas, por exemplo. Para que esse material não se perca e seja ordenado corretamente que utilizamos inúmeras técnicas e acessórios. A claquete é usada para marcar o ponto de sincronismo entre som e imagem e para identificar o rolo ou fita, a cena e o take por números.
Na edição do material são selecionadas as melhores cenas para a produção original e é por isso que deve-se gravar sempre a mais para que o diretor, junto ao editor, possa selecionar a tomada mais interessante, que cumpra com o objetivo do roteiro ou expectativa do diretor. É por isso também que um novo roteiro é feito a partir das imagens captadas, é feita uma lista das imagens e uma ordem de montagem, que não é necessariamente a mesma ordem do roteiro original.
O som deve ter a mesma importância e cuidado que as imagens recebem, na captação do som direto ele deve estar sincronizado com as imagens, além disso na edição podem ser acrescentados efeitos sonoros, locuções e até mesmo dublagens, caso algum som direto não tenha sido captado da forma correta ou haja algum erro na fala de algum ator ou apresentador.
É também nessa fase de pós-produção onde efeitos especiais ou grafismos podem ser adicionados, em sua maioria previamente pensados para que seu planejamento seja feito dentro do espaço adequado no roteiro ou na obra finalizada.
A partir desse esboço das partes que envolvem o processo criativo, tendo como referência o manual escrito por Harry Watts, podemos fazer uma análise sobre as tendências audiovisuais e suas implicações na arte e na sociedade. A responsabilidade que o artista tem hoje em dia vai além de transmitir informações, o profissional multimídia está cada vez mais completo e corresponde a um perfil novo, sem limitações de criatividade, podendo usar inúmeras ferramentas (áudio, vídeo, TV, cinema, internet, revistas, jornais, etc) e cada vez mais especializado.
“Estamos mergulhados numa cultura midiática em que os meios não são mais ferramentas, mas um conceito e um modo particular de cultura.” In: Galáxia, Vol. 2, Nº 4 (2002), Arlindo Machado.
O profissional que se depara com uma infinidade de possibilidades técnicas e criativas, deve proceder, de acordo com o manual aqui descrito, utilizando fórmulas e estruturando as idéias para que as mesmas não se percam e, além disso, sabendo das fórmulas já utilizadas, reciclando-as e criando novas opções para surpreender e entreter o telespectador. Às vezes um assunto já foi transmitido até a exaustão, mas descobrindo uma nova forma de demonstrá-lo pode se tornar algo muito interessante.
A convergência de mídias que atualmente acompanhamos só faz crescer cada vez mais o espaço para profissionais multimídia, caminhos que se abrem para novas tendências dizem respeito a mais possibilidades tecnológicas, isto é, a criatividade sendo alimentada por esse novo espaço que sugere a produção de temas antigos reciclados com novas técnicas assim como temas novos apresentados com antigas técnicas. O modo com que o profissional lida com essa nova tendência faz dele um artista notório nesse meio onde é muito mais fácil do que antigamente ter acesso a ferramentas e conteúdo, cabe a cada um inovar no modo de manipular esses conceitos para transmitir sua arte.
De todas as mídias citadas, a internet se destaca entre as outroas, hoje ela é capaz de arquivar todo e qualquer tipo de conteúdo para que o artista possa pensar e a partir disso fazer o caminho inverso, transmitindo suas idéias e criações através da mesma ferramenta. Dessa forma a comunicação com o resto do mundo se torna mais livre e ativa, encurtando a distância para a troca de conhecimento e a manifestação artística.


Referências bibliográficas:
On Camera – O curso de produção de filme e vídeo da BBC. Harris Watts. Summus Editorial, vol. 36, São Paulo.
Galáxia, Vol. 2, Nº 4 (2002), Arlindo Machado.
Made in Brasil, Arlindo Machado. p. 87, São Paulo, SENAC.

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