
texto de Lucas Bambozzi in: http://www.interfacescriticas.net/textos.php?text_id=16
Uma série de encontros na casa do cineasta Marcelo Masagão, deu origem a esse texto onde é discutida a "estética de realidade”, documental e um suposto impulso a isso em diversos campos. Além do que, reflete um período interessante da produção artística e cultural.
Existem dados estatísticos que confirmam esse tal impulso ou interesse extraordinário por filmes documentais e narrativas centradas na realidade. Além disso essa situação já foi detectada como um fenômeno em expansão.
A câmera de mão (handcam), associada a novas tecnologias de transmissão, tem oferecido um fluxo enorme de material onde o indivíduo comum que nunca esteve tão perto de se tornar um videomaker ou um fotógrafo.
Alguns filmes são exemplos de como é interessante para o espectador a proximidade com a realidade e sua oscilação, tornando as produções mais interessantes (Bruxa de Blair – 1997 e Aconteceu perto da sua casa - 1992).
Outro conceito importante de ressaltar é o documentário de busca, onde as situações são o próprio processo da experiência onde podemos acompanhar no filme de Kiko Goifman, 33. O real não é mais tido como espetáculo e sim como linguagem.
As noções mais atuais de intimidade, privacidade e realidade estão conectadas a uma série de circunstâncias e mecanismos, tanto culturais como tecnológicos.
A publicidade de apropriou a essa nova realidade estética e usa dessa intimidade para vender produtos que nada tem a ver com a intimidade, propriamente dita: sabão em pó, eletrodomésticos, etc.
O design também vem se apropriando há um certo tempo, se inspirando na autenticidade de coisas populares e espontâneas.
Os blogs são ferramentas para divulgar conteúdo jornalístico e literário, inspirado na banalidade da vida e das coisas comum, dá voz ao ponto de vista do “anônimo”.
No universo dos video games não há apenas a estética mas conceitos e situações da realidade que servem de base para múltiplos formatos de jogos: The Sims, GTA, entre outros.
Os reality shows são os melhores exemplos da busca do parecer real e da até ficção travestida de realidade.
Há uma constatação sobre a vontade de experimentar novas realidades, viver a vida do outro.
A publicidade volta a atacar com ações de marketing, realizando eventos ligados a portabilidade e usando slogans sobre a tecnologia substituindo a experiência.
Na produção artística contemporânea a “realidade documental” sugere inúmeros caminhos para se trabalhar.
Temos exemplos de vários grupos e projetos ligados ao audiovisual onde utilizam mecanismos de mediação e se confrontam com a realidade, são intervenções e trabalhos capazes de produzir conscientização sobre assuntos mais diversos (sérios ou não).
Estes trabalhos podem dizer o quanto a realidade tem trazido preocupação para arte e como ela responde a essa realidade.
A mídia é uma forma de contruir realidades, retrata um mundo não existente e como ela faz isso é uma outra questão.
Por fim, conclui-se que o imediato e o outro produzem interesse e estamos nos adaptando a novas tecnologias que alargam nossas fronteiras pessoais para além da zona de conforto.
Os instrumentos para isso podem ser chamados de interfaces onde haverá a mediação do indivíduo em espaços públicos compartilhados (realidade) e também poderão sugerir a conscientização. Mesclando contexto, mediação tecnológica e uso do espaço.
Vivenciamos agora uma nova indústria, que vende a realidade como consumo, como mercadoria.
Essa realidade documental disfarça o entendimento sobre o real ou o liberta?
*
Partindo dessa dúvida, temos que a realidade documental só pode ser processada a partir de ferramentas e técnicas par tal acontecimento. Neste processo a realidade “pura” se perde e dá lugar a realidade arquitetada, a partir de métodos e dispositivos para a concretização de um projeto/roteiro.
Não consigo identificar alguma obra inteiramente pura a não ser materiais brutos, que apesar do tipo de captação ter sido escolhida, tema e até mesmo posicionamento, pelo menos no trecho de sua gravação (sem cortes) não temos nenhum tipo de distorção da realidade.
Acredito que novas tecnologias aparecem para somar, amantes da tecnologia querem cada vez mais. Cabe a cada um de nós saber utilizá-las e saber até que ponto queremos ter nossas vidas íntimas escancaradas em prol da comunicação ou da experimentação dessa “realidade documentada”.
Existem dados estatísticos que confirmam esse tal impulso ou interesse extraordinário por filmes documentais e narrativas centradas na realidade. Além disso essa situação já foi detectada como um fenômeno em expansão.
A câmera de mão (handcam), associada a novas tecnologias de transmissão, tem oferecido um fluxo enorme de material onde o indivíduo comum que nunca esteve tão perto de se tornar um videomaker ou um fotógrafo.
Alguns filmes são exemplos de como é interessante para o espectador a proximidade com a realidade e sua oscilação, tornando as produções mais interessantes (Bruxa de Blair – 1997 e Aconteceu perto da sua casa - 1992).
Outro conceito importante de ressaltar é o documentário de busca, onde as situações são o próprio processo da experiência onde podemos acompanhar no filme de Kiko Goifman, 33. O real não é mais tido como espetáculo e sim como linguagem.
As noções mais atuais de intimidade, privacidade e realidade estão conectadas a uma série de circunstâncias e mecanismos, tanto culturais como tecnológicos.
A publicidade de apropriou a essa nova realidade estética e usa dessa intimidade para vender produtos que nada tem a ver com a intimidade, propriamente dita: sabão em pó, eletrodomésticos, etc.
O design também vem se apropriando há um certo tempo, se inspirando na autenticidade de coisas populares e espontâneas.
Os blogs são ferramentas para divulgar conteúdo jornalístico e literário, inspirado na banalidade da vida e das coisas comum, dá voz ao ponto de vista do “anônimo”.
No universo dos video games não há apenas a estética mas conceitos e situações da realidade que servem de base para múltiplos formatos de jogos: The Sims, GTA, entre outros.
Os reality shows são os melhores exemplos da busca do parecer real e da até ficção travestida de realidade.
Há uma constatação sobre a vontade de experimentar novas realidades, viver a vida do outro.
A publicidade volta a atacar com ações de marketing, realizando eventos ligados a portabilidade e usando slogans sobre a tecnologia substituindo a experiência.
Na produção artística contemporânea a “realidade documental” sugere inúmeros caminhos para se trabalhar.
Temos exemplos de vários grupos e projetos ligados ao audiovisual onde utilizam mecanismos de mediação e se confrontam com a realidade, são intervenções e trabalhos capazes de produzir conscientização sobre assuntos mais diversos (sérios ou não).
Estes trabalhos podem dizer o quanto a realidade tem trazido preocupação para arte e como ela responde a essa realidade.
A mídia é uma forma de contruir realidades, retrata um mundo não existente e como ela faz isso é uma outra questão.
Por fim, conclui-se que o imediato e o outro produzem interesse e estamos nos adaptando a novas tecnologias que alargam nossas fronteiras pessoais para além da zona de conforto.
Os instrumentos para isso podem ser chamados de interfaces onde haverá a mediação do indivíduo em espaços públicos compartilhados (realidade) e também poderão sugerir a conscientização. Mesclando contexto, mediação tecnológica e uso do espaço.
Vivenciamos agora uma nova indústria, que vende a realidade como consumo, como mercadoria.
Essa realidade documental disfarça o entendimento sobre o real ou o liberta?
*
Partindo dessa dúvida, temos que a realidade documental só pode ser processada a partir de ferramentas e técnicas par tal acontecimento. Neste processo a realidade “pura” se perde e dá lugar a realidade arquitetada, a partir de métodos e dispositivos para a concretização de um projeto/roteiro.
Não consigo identificar alguma obra inteiramente pura a não ser materiais brutos, que apesar do tipo de captação ter sido escolhida, tema e até mesmo posicionamento, pelo menos no trecho de sua gravação (sem cortes) não temos nenhum tipo de distorção da realidade.
Acredito que novas tecnologias aparecem para somar, amantes da tecnologia querem cada vez mais. Cabe a cada um de nós saber utilizá-las e saber até que ponto queremos ter nossas vidas íntimas escancaradas em prol da comunicação ou da experimentação dessa “realidade documentada”.

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